Você já deve saber que estudar para concursos públicos é um investimento de tempo e esforço, e que o objetivo final é ser aprovado. Essa é a escolha que muitos jovens e até profissionais já estabelecidos fazem em relação a seu futuro.

Tenha em mente, no entanto, que ser aprovado é um objetivo de longo prazo. Para chegar até ele, os candidatos devem se preparar da melhor forma possível, conhecendo os detalhes da prova, da banca e da legislação que rege o edital.

Neste guia, nosso objetivo é traçar a anatomia dos concursos públicos para ajudá-lo a conseguir resultados satisfatórios!

Siga em frente e tenha um bom aproveitamento!

1. Tipos de concurso

Em nosso país, como há três esferas de governo, há três âmbitos possíveis de atuação: federal, estadual e municipal. Antes de começar a estudar para um concurso, é essencial saber se o cargo desejado é regido por leis federais, estaduais ou municipais e quais são suas particularidades.

É preciso se identificar tanto com o serviço que será executado, em caso de aprovação, quanto com o órgão do qual ele faz parte e estar ciente de sua importância para a estrutura organizacional do país.

A lista de órgãos públicos federais engloba todos os Ministérios, como Ministério da Educação, por exemplo, e autarquias como Banco Central, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Já no âmbito estadual, alguns exemplos comuns são os Tribunais Regionais Eleitorais e os departamentos de infraestrutura e trânsito (como o DEINFRA, em Santa Catarina, e o DAEE, em São Paulo).

Já no âmbito municipal, temos os órgãos e secretarias locais, como a Guarda Municipal e a Secretaria Municipal de Educação, Esportes e Lazer (como a SMEEL, no Rio de Janeiro). 

Muitos optam, por exemplo, por concursos federais, pois acreditam que a remuneração será mais alta, mas isso nem sempre acontece. A remuneração, assim como outros atributos do cargo, dependem muito do nível exigido, do órgão público e do trabalho que será desenvolvido.

1.1 A questão da mobilidade

Um ponto a ser destacado para quem deseja se tornar um servidor público é a questão da mobilidade. Quem é admitido em âmbito federal, por exemplo, pode ter facilidade de transferência para outros estados — desde que eles possuam uma filial do órgão —, depois de determinado tempo de serviço.

Já quem passa em um concurso estadual, por outro lado, pode ser nomeado para uma vaga no interior de seu Estado, já que essas regiões têm maior carência de profissionais. No âmbito municipal, por sua vez, os cargos são direcionados para a localidade do concurso.

2. Nível médio e nível superior

Outra distinção que os candidatos devem ter em mente são os cargos de nível médio e superior. Apesar de ambos garantirem a estabilidade desejada por muitos concurseiros, há diferenças marcantes entre eles.

Um cargo que exige formação superior demandará um conhecimento mais aprofundado do candidato que vier a ocupá-lo, mas, em compensação, oferecerá uma remuneração muito maior, além da possibilidade de ascensão profissional. Por outro lado, tais vagas costumam ser mais concorridas.

Em um cargo de nível médio, os saberes cobrados serão mais gerais, e há a probabilidade de a aprovação ser mais rápida. O candidato que se sentir preparado para prestar ambas as provas, pode fazê-lo, mas deverá estar ciente de que a abordagem dos conhecimentos específicos será diferente.

Na verdade, até a própria forma de estudar muda em função dessa diferença. Um exemplo é a prova de língua portuguesa, que afere competências e habilidades distintas em cada nível. Se no nível médio é importante conhecer as estruturas gramaticais e semânticas, no nível superior a capacidade de compreensão e emprego dessas estruturas deve ser profundo.

É esperado dos candidatos de nível médio, por exemplo, que saibam interpretar e memorizar conceitos. As questões tendem a ser mais objetivas e os textos motivadores têm uma relação direta com o que está sendo cobrado.

Para os candidatos com nível superior, por outro lado, a dificuldade é elevada. Eles precisam demonstrar, além das já citadas, habilidades como contextualizar informações, associar conhecimentos distintos e resolver problemas complexos, além de dominar um leque teórico muito maior.

2.1 A questão da banca

É essencial conhecer a banca examinadora antes de prestar qualquer concurso, pois a lógica da prova muda de acordo com a instituição responsável, tanto para nível médio quanto para superior. Entenda que a banca é a comissão que elabora as questões e avalia o desempenho do candidato a partir delas.

É preciso saber que cada uma das entidades tem um estilo, um perfil de abordagem, e conhecer esse estilo se traduz em vantagem para o concurseiro!

Talvez a mais conhecida e temida pelos candidatos seja a Cespe (Centro de Seleção e de Promoção de Eventos da Universidade de Brasília). As provas elaboradas por essa banca são desafiadoras porque os erros anulam os acertos, então a insegurança é muito grande. Além disso, as questões são longas, complexas e multidisciplinares. Um exemplo é o exame do Instituto Rio Branco, para futuros diplomatas.

Outra banca bastante conhecida é a Esaf, responsável pelos concursos da Fazendo e do Tesouro Nacional. O nível de dificuldade da prova é bem alto, por cobrar temas polêmicos, para os quais não há consenso. Muitos candidatos, inclusive, entram com recursos e isso pode atrasar o processo de homologação e convocação. 

A FGV, ou Fundação Getúlio Vargas, autora dos exames da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), é mais imprevisível, ou seja, seu perfil muda a cada prova. Em geral, as questões são contextualizadas com textos longos e complexos. Já a FCC (Fundação Carlos Chagas), responsável por concursos federais, estaduais e municipais, tem uma abordagem mais objetiva e simples, porém traz as famosas “pegadinhas”.

3. Principais áreas contempladas

A cada ano, muitos editais são abertos por todo o país. Esses documentos abrem oficialmente a temporada de inscrições para os mais variados cargos, tanto em nível médio, quanto em superior, nas três esferas públicas que mencionamos anteriormente.

Dentro dessa diversidade, podemos traçar as áreas de atuação e cargos específicos que mais atraem candidatos, seja pela remuneração, pela localidade, pela responsabilidade ou autoridade que elas engendram.

Confira, a seguir, a lista dessas áreas e órgãos correspondentes.

3.1 Área fiscal

É a área fiscal talvez seja o maior chamariz de candidatos, apresentando altos índices de concorrência por cargo. Podemos destacar dois motivos para essa procura: a excelente remuneração e a exigência de diploma de graduação sem uma área específica.

Os cargos, que geralmente flutuam entre auditores e analistas, envolvem a fiscalização das diretrizes tributárias e seu cumprimento pelas empresas, análise de processos e orientação aos contribuintes. Esses profissionais devem ter conhecimentos profundos de Direito Tributário e Constitucional e Contabilidade. 

Principais órgãos: Receita Federal, Ministério do Trabalho e Fiscos estaduais.

3.2 Área jurídica

Este campo é específico para profissionais do Direito que almejam reconhecimento social e salarial. O foco está no exercício da profissão em sentido geral, envolvendo conhecimentos de Direito Constitucional, Processual, Penal, Civil, etc. Os bacharéis podem optar por cargos que vão de procuradores a magistrados.

Principais órgãos: Ministério Público da União e Defensoria Pública.

3.3 Área de tribunais

Diferente do campo jurídico, essa área engloba cargos de nível médio e superior fora do Direito. Por conta da quantidade de órgãos, há uma frequência alta de concursos, o que atrai muitos candidatos. Os conhecimentos aqui giram em torno de Direito Administrativo, Informática e Português.

Principais órgãos: Tribunal Regional do Trabalho, Tribunal Regional Eleitoral e Tribunal de Justiça.

3.4 Área de segurança pública

Em contraste com os cargos listados até aqui, que englobam atividades administrativas e analíticas, os cargos na segurança pública possibilitam uma atuação mais dinâmica, envolvendo, inclusive, riscos e adrenalina. A remuneração depende muito do nível de exigência de cada cargo, assim como a formação acadêmica.

Alguns exemplos de cargos são policiais, delegados, peritos e agentes. Os principais conhecimentos aferidos pelo exame são em Direito Constitucional, Administrativo e Penal.

Principais órgãos: Polícia Federal, Civil, Militar e Rodoviária.

3.5 Área de planejamento, gestão e controle

Aqui também há muitos cargos para nível médio e superior, sendo que o diploma de graduação não precisa ser em uma área específica. Os candidatos empossados lidarão com a gestão das contas públicas e auditoria, bem como com o planejamento orçamentário e patrimonial de determinados entes públicos.

Como em outros cargos, as responsabilidades são sobretudo analíticas e administrativas.

Principais órgãos: Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (MPOG), Tesouro Nacional (STN) e Tribunal de Contas da União (TCU). A nível municipal, há as secretarias de planejamento e gestão.

3.6 Área bancária

Mais uma queridinha entre os concurseiros, a área bancária corresponde basicamente ao Banco do Brasil e à Caixa Econômica Federal. Os cargos, em sua maioria, são de nível médio, e as atribuições das funções envolvem lidar com o público, comercializar seguros, elaborar correspondências internas e outras tarefas administrativas.

3.7 Destaques alternativos

Além das áreas mencionadas acima, que geralmente chamam um número maior de candidatos e, por isso, são mais divulgadas, existem concursos para órgãos que não são tão conhecidos, mas que remuneram igualmente bem. Geralmente, no entanto, as vagas são abertas a especialistas em áreas bem específicas.

Estamos falando aqui da Agência Brasileira de Inteligência (ABIN), Petrobras, Instituto do Patrimônio Histórico Nacional (IPHAN) e agências reguladoras, como a Agência Nacional de Petróleo (ANP) e Agência Nacional do Cinema (Ancine).

4. Como funciona a convocação?

Após a homologação do resultado do concurso, a expectativa dos aprovados começa a aumentar. Não é comum que os editais revelem a data da posse ou da convocação dos concurseiros que foram bem-sucedidos, o que gera uma grande incerteza em todos os envolvidos. Afinal, qual é o próximo passo?

Muitos acreditam que serão avisados por e-mail ou telefone, e é verdade que algumas instituições, de fato, entram em contato. Por esse motivo, é importantíssimo que o candidato mantenha os dados atualizados junto ao órgão para o qual foi aprovado.

A maioria das instituições não segue esse protocolo, entretanto. Nesse caso, uma opção válida é entrar em contato com o órgão e questionar sobre a convocação.

A lei 8.112/90 exige que a convocação seja feita no Diário Oficial da União (DOU). Após essa veiculação oficial, o aprovado tem um prazo de 30 dias para apresentar os documentos necessários e tomar posse, e, depois, mais 15 dias para entrar em exercício.

Segundo o Art. 13 do mesmo dispositivo, a posse se dará “pela assinatura do respectivo termo, no qual deverão constar as atribuições, os deveres, as responsabilidades e os direitos inerentes ao cargo ocupado, que não poderão ser alterados unilateralmente, por qualquer das partes, ressalvados os atos de ofício previstos em lei”.

Caso a posse não ocorra no prazo previsto, será tornada sem efeito a nomeação.

5. O que pode barrar a posse?

Essa pergunta representa um verdadeiro pesadelo para alguém que se dedicou a ser aprovado em um concurso público durante meses ou anos a fio. É possível ter a posse do cargo barrada em face de alguns fatores, como o não-cumprimento dos requisitos listados no edital.

Saiba ainda que esses requisitos podem mudar a cada concurso, pois cada ente federativo estabelece as leis que regem o edital, ou seja, é preciso ler o documento com muita atenção.

Respire fundo e confira quais são os principais fatores que podem barrar a posse!

5.1 O fator nacionalidade

Segundo a legislação que rege a atuação do servidor, é preciso ser brasileiro para ter um cargo público. A única exceção fica por conta das universidades, que podem contratar estrangeiros como professores, pesquisadores ou técnicos.

5.2 As obrigações eleitorais ou militares 

Outro requisito descrito pelos editais e que precisa ser cumprido é estar em dia com as obrigações de um cidadão brasileiro: serviço militar para homens e estar quite com a Justiça eleitoral, para ambos os gêneros.

Quem por algum motivo perdeu uma eleição deve justificar a ausência em um Cartório Eleitoral ou via Correio. Estar em débito com a Justiça Eleitoral acarreta ainda em outras restrições, como impossibilidade de solicitar passaporte e de receber salário de qualquer entidade pública.

5.3 A escolaridade mínima exigida

A escolaridade mínima para o cargo deve ser obtida até a posse ou comprovação de títulos. Caso o candidato não tenha como atestar seu histórico acadêmico e grau conquistado, não poderá tomar posse, mesmo tendo sido bem sucedido no exame.

5.4 Exigências do edital

Muitos editais trazem explícito que, além dos exames teóricos, o candidato ainda passará por testes psicotécnicos, de aptidão física e por uma investigação de antecedentes criminais. Um exemplo clássico são os concursos da ABIN e da área de segurança pública.

Há ainda alguns concursos que estabelecem limite de idade, tanto mínima quanto máxima.

5.5 Gerente ou administrador

Outra fonte de impedimento, essa desconhecida pela grande maioria dos candidatos, é a ocupação dos cargos de gerente ou administrador no contrato social de uma empresa privada. Há uma exceção, entretanto, que é quando o candidato é sócio, cotista ou comanditário.

6. Dúvidas frequentes

Sabemos que a preparação para um concurso público é longa e que exige muita dedicação por parte dos candidatos. Trata-se também de um processo cansativo que costuma gerar muita ansiedade nos interessados.

Por esse motivo, listamos aqui os questionamentos mais comuns a respeito dos concursos públicos. Acompanhe!

6.1 Os concurseiros bem sucedidos têm um perfil? Qual é ele?

Sim, os indivíduos aprovados para os cargos que sempre desejaram costumam se dedicar de corpo e alma à sua preparação. Mas veja bem, isso não quer dizer que eles estudem em tempo integral. Na verdade, a maioria mantém seus trabalhos e conciliam ambas as rotinas. 

São aqueles candidatos que possuem um método eficaz de estudo e que são perseverantes, tentando até conseguir. Geralmente, prestam vários concursos até galgar seu objetivo.

6.2 Como se preparar antes de sair o edital?

Estudando a partir de provas anteriores e de concursos análogos. Geralmente, o conteúdo programático se mantém quase o mesmo. A única diferença é que você deverá estudar com apostilas e materiais atualizados, especialmente aquelas disciplinas que envolvem legislação.

Aliás, até os métodos de estudo são diferentes. Você já deve ter solidificado bem os conhecimentos relevantes antes da publicação do edital. Depois que ele sair, é hora de aperfeiçoar e revisar o conteúdo de forma mais direcionada. 

Uma preparação efetiva para um concurso demanda estudo contínuo: não há como se dedicar somente após a publicação do edital.

6.3 Como fazer para se manter motivado?

Primeiramente, é preciso ter um objetivo bem definido em mente. Por exemplo: ser aprovado para o cargo “A” no órgão “X”. Quando estiver pensando em desistir ou não sabendo lidar com a pressão, lembre-se do porquê você definiu esse objetivo e de que forma alcançá-lo o fará mais feliz.

Depois, faça um planejamento, adeque sua rotina e siga o que foi definido. Pense que a preparação é só uma etapa de sua vida, como os degraus de uma escada que é preciso subir para chegar até o destino escolhido. Além disso, seja perseverante, aprenda sempre com seus erros e evolua a partir deles! 

6.4 Qual é a principal fonte de erros dos consurseiros?

Não conhecer a prova e a banca examinadora são duas fontes comuns de erros e reprovação. Para se passar em uma prova, é preciso conhecer suas particularidades, estar familiarizado com seu tempo e ciente do nível de dificuldade

Uma maneira de sanar essas inadequações é resolver provas antigas para o mesmo cargo e da mesma banca, simulando o dia oficial.

6.5 Como lidar com o nervosismo e com a pressão?

O nervosismo também é uma das causas de reprovação em concursos, e é fácil entender o porquê. O candidato sofre pressões se todos os lados por resultados positivos e o quadro se agrava à medida que o tempo passa. 

Tente se manter focado no presente em vez de ficar pensando em possibilidades futuras. Mentalize seu objetivo, o quanto ele vale para você, e mantenha-se otimista. Na hora da prova, é preciso confiar nas próprias habilidades e dar um passo de cada vez, sem se afobar.

Um recurso que surte efeitos positivos na vida de um candidato é investir em aulas de Yoga e outras práticas de relaxamento. É importante conseguir controlar o fluxo de pensamentos e manter a respiração sob controle, tanto durante os estudos quanto no dai da prova. 

6.6 É melhor investir em um cursinho ou estudar de casa?

Isso vai depender muito do perfil do candidato, do quanto ele consegue render imerso em uma sala de aula ou estudando sozinho. As pessoas aprendem de formas diferentes, então é necessário que você conheça seu ritmo e a maneira com que absorve conteúdo mais facilmente.

Ambas as opções têm benefícios e desvantagens. Você deve identificar qual delas se adequa melhor ao seu perfil, à sua realidade, e elaborar seu planejamento a partir daí.

6.7 Qual é o período de vigência de um concurso público?

Você foi aprovado ou classificado, mas não sabe quando será chamado? Tenha em mente que o processo seletivo possui validade de dois anos, sendo possível prorrogá-lo por igual período. Em tese, isso significa que, mesmo aprovado, poderá passar um bom tempo antes de você ser convocado.

É por isso que muitos concurseiros fazem exames parecidos e assumem o cargo da entidade que os chamar primeiro, mudando depois quando surgir a convocação para a posição desejada.

Chegamos ao final deste guia, que buscou traçar a anatomia dos concursos públicos. Ao longo do texto, você pôde conferir os níveis e diferentes tipos de provas, as bancas examinadoras e as principais áreas contempladas.

Verificamos ainda a legislação que rege a convocação e o processo de tomada de posse dos aprovados, e buscamos responder alguns questionamentos comuns entre os candidatos.

Todo concurseiro, ou ex-concurseiro, sabe que quem decide estudar para concurso público está conscientemente enveredando por um caminho que exigirá muita dedicação, foco, perseverança, resistência física e psicológica.

Essa entrega, é claro, terá uma recompensa. Se dedicar a ser aprovado significa semear seu futuro na expectativa de colher bons frutos!

Você ainda tem alguma dúvida sobre concursos públicos ou considerações que gostaria de compartilhar? Deixe seu comentário. Adoraríamos saber sobre suas ideias e opiniões a respeito do assunto!