A vida de um concurseiro pode ser dividida em duas fases bastantes distintas: a intensa dedicação durante o estágio preparatório e o sentimento de conquista e merecimento após a aprovação e a nominação. Se você está se preparando para prestar um concurso público, então já deve ter refletido sobre como seus esforços presentes poderão ser recompensados no futuro.

Mas como estudar para concurso na fase preparatória? Qual é a melhor forma de se manter concentrado? É possível estudar em casa? Quais são as modalidades de cursos disponíveis e como escolher o material? Como é a rotina de quem estuda em casa? Qual é a forma mais efetiva de se manter motivado frente a concorrência? E o mais importante: como evitar a procrastinação e otimizar seu rendimento?

Essas são questões que todo concurseiro já ponderou, afinal de contas, passar em um concurso é um desafio que demanda muita dedicação, assiduidade e otimismo. Se você tem dúvidas como essas, confira o material que preparamos para você!

1. Estudar em casa ou fazer curso presencial?

Será que ser autodidata na hora de estudar para concurso realmente funciona? Quais são as vantagens e os desafios de optar por seguir seu próprio ritmo na hora de se preparar? É possível mesmo vencer a concorrência insana sem um professor que o motive dia após dia?

Vamos começar pela última pergunta: nada é impossível! Dependendo do seu perfil e comprometimento, fica até mais fácil conseguir estudar e render dentro de uma rotina solitária.

1.1 As vantagens de estudar em casa

Quando você está em uma sala de aula, pode ser fácil se distrair com estímulos externos (ruídos, pessoas, movimentos etc.). É também comum que dúvidas e conversas alheias desviem sua concentração e seu raciocínio para questões que não são as suas. Na sala de aula, você precisa andar conforme o ritmo da turma, o que, no fim das contas, torna-se algo imposto.

Até porque, nos cursos preparatórios há estudantes de nível bem avançado, que já possuem uma boa bagagem de experiências e conhecimento, e outros que estão apenas começando. O nível da aula, portanto, acaba sendo uma média desses dois extremos.

Além disso, ano após ano, os concurseiros que não passaram nos exames dos períodos anteriores — e até mesmo os professores — acabam ficando desmotivados ou acomodados. Esse é um processo natural do ser humano, que acontece sobretudo quando nos deparamos repetidamente com a mesma dinâmica e não vemos progresso.

Isso sem falar da competitividade existente entre os candidatos e, muitas vezes, até com o professor

O objetivo de um cursinho presencial é dar o suporte técnico e motivacional necessário para que o aluno conquiste, a médio e longo prazo, seu objetivo. Porém, dependendo de algumas variáveis, como distância de sua casa até o local, material didático, preço do curso e qualidade dos professores, o investimento de tempo, esforço e dinheiro pode ser contraprodutivo.

Em casa, tudo fica mais simples. Não existe o drama da sala de aula, não há histórias mirabolantes de aprovações e reprovações. O foco é você e sua vontade de se superar, de alcançar a posição que acredita merecer. 

O trajeto até seu objetivo é livre de qualquer complicação ou burocracia. A lógica motivacional que ditará seu direcionamento é a seguinte reflexão: “estou na posição X e quero chegar a Y. O que preciso fazer?”. A conta aqui é entre você, seu objetivo final e o esforço que precisa fazer para chegar até ele.

1.2 Os desafios da empreitada 

Mas é claro que, se há grandes vantagens, há também enormes desafios. Estudar em casa requer do candidato uma disciplina tremenda. É necessário elaborar um plano de estudos sólido e efetivo, segmentar horários de acordo com as matérias e evitar, a todo custo, a procrastinação.

Se na sala de aula há vários estímulos externos que distraem os desavisados, em casa esse desafio persiste nas redes sociais e nos smartphones e suas notificações. É preciso seguir à risca uma rotina de estudo para não se perder no meio de tantas opções e tarefas.

Outra questão é que, nos cursos preparatórios, os professores fazem estudos de caso, ensinam macetes e transmitem suas experiências. Há dicas de como lidar com a pressão psicológica e, dependendo do lugar, existe um sentimento de solidariedade e de acompanhamento.

Atualmente, no entanto, saiba que há cursinhos EaD (Ensino a Distância) que podem auxiliá-lo em sua preparação. Você permanece em casa e tem acesso a aulas ao vivo, com monitoria para tirar dúvidas e dicas de motivação. As aulas e os vídeos não substituem o material de estudo, mas o complementam e servem como guia.

Essas são iniciativas que visam respeitar seu ritmo de estudo e ser útil pontualmente, servindo como um guia exclusivo!

Enfim, existem muitas alternativas sobre as quais você precisará refletir, no intuito de encontrar o que se encaixa melhor em seu cotidiano e possibilidades. Só não se esqueça de que a palavra-chave para quem decide seguir pelo caminho autodidata é foco!

2. A escolha do material

Para quem decide se preparar para um concurso em casa, uma questão é de extrema importância: o material didático que servirá de base para seus estudos. Ele deve cumprir uma série de requisitos, como, por exemplo, ser atualizado, bem estruturado e contemplar o conteúdo programático exposto no edital.

Vejamos a relevância de cada um desses itens!

2.1 Ser atualizado

Para um concurseiro, a atualização de conceitos talvez seja o mais importante aspecto de uma apostila didática. Sabemos bem que algumas matérias praticamente não mudam, como Português e História do Brasil, apenas têm sua abordagem alterada em vista de eventos recentes.

Este, no entanto, não é o caso de disciplinas como Atualidades, Direito e Geopolítica. É imprescindível que sua apostila contemple os últimos acontecimentos e avanços nessas áreas, caso contrário, você poderá aprender conceitos errados.

Nas matérias de legislação, por exemplo, temos o novo Código de Processo Civil, cujo projeto foi discutido durante anos antes da aprovação, tendo entrado em vigor ano passado. Lembre-se de que as provas cobram a legislação que está em vigor até a publicação do edital.

2.2 Ser bem estruturado

Esse é um detalhe fácil de perceber sobre um livro didático, e está relacionado à sua procedência, se ela é confiável ou não. Uma dica é: procure um assunto que domina e observe como ele é abordado.

Os conceitos são bem explicados? Os exercícios possuem passo a passo de resolução? Há uma divisão clara de conteúdo e um sentimento de evolução ao longo do livro? A linguagem é simples ou mais rebuscada?

Refletir sobre essas questões é uma garantia de que seu tempo está sendo investido em instrumentos úteis e adequados para você.

2.3 Contemplar o conteúdo programático do edital

Quando você estuda para uma prova específica, está direcionando seus esforços para algo pontual, e não genérico. Mas o que isso quer dizer? Bem, não adianta investir em um material que traz tudo sobre Brasil Colônia, por exemplo, se o edital do concurso aponta que será cobrado apenas Brasil República.

O material didático escolhido deve ser direcionado para concurso (tenha em mente que a abordagem de um concurso é bastante diferente da abordagem de um vestibular) e deve ser compatível com o conteúdo programático listado pelo edital. Algo que não pode existir quando você estuda em casa é desperdício de esforço com algo que não é relevante para o alcance de suas metas.

2.4 Estudar pelas provas anteriores

Outra atitude essencial que tornará sua preparação mais completa é resolver provas anteriores. Estudar questões que já foram cobradas pela mesma banca, ou por outros exames para determinado cargo, permite que você se familiarize com o modelo de prova em si.

Tão importante quanto conhecer o conteúdo, é conhecer bem a banca responsável pela elaboração das questões. Isso porque cada uma delas tem sua maneira de cobrar os assuntos, de pontuar e de enfatizar certos temas. Cada banca examinadora procede de um jeito específico para saber se o candidato está apto a desempenhar determinadas funções.

Você precisa se familiarizar com a lógica da prova e com o tempo de resolução dela. Às vezes, a diferença entre uma boa classificação e uma mediana é justamente a compreensão de como a prova funciona e de como maximizar o desempenho dentro do prazo estipulado.

Além disso, simular o tempo de resolução do dia oficial é um bom termômetro para você medir sua performance e perceber o que ainda precisa ser melhorado.

3. Rotina de estudos

Quando você estuda em casa, você precisa considerar o ato de estudar como sua profissão, pelo menos momentaneamente. Nada de acordar com sono e se arrastar de pijama para a frente de um computador. Para estabelecer uma boa rotina de estudos, você deve ser pragmático e um pouco teatral.

Como? Já vamos explicar!

Primeiramente, tenha um local propício para os estudos. Pode ser na sala, no quarto ou em qualquer cantinho da casa ou do apartamento que seja: a) silencioso; b) bem iluminado; c) que não seja demasiadamente confortável (estudar em um sofá, por exemplo, é a receita ideal para pegar no sono).

Já que a maioria das residências não possui um local específico para estudos, você deve certificar-se de que o cômodo escolhido favoreça a concentração, minimize distrações, e tenha todos os recursos materiais que serão utilizados, como cadernos, apostilas, lápis, caneta marca-texto e outros. Acima de tudo, o local deve estar sempre bem organizado.

Imagine que todos esses fatores (material didático, materiais auxiliares, local de estudo) são insumos que você transformará no produto final: conhecimento. Não dá para ficar perdendo tempo com desorganização, certo? É aqui que entra o pragmatismo, ou seja, a eficiência na hora de dispor dos recursos disponíveis e maximizar seu aproveitamento!

Lembra que falamos sobre ser teatral? Pois então, estamos nos referindo à sua postura diária em relação aos estudos. Muitas pessoas falham ou desistem porque não mantêm uma atitude séria e perseverante em relação às suas obrigações só porque estão em casa.

Levante-se pela manhã, tome um banho, tome um bom café e se vista como se fosse sair para trabalhar fora. Faça uma lista de todos os assuntos/matérias que estudará naquele dia e vá marcando o que for feito ao longo do dia.

Quando você se sentar em frente à mesa de estudos, foque sua atenção no que está fazendo, sem se deixar distrair com televisão, smartphone, vizinhos etc. Estabeleça metas (como por exemplo, “das 7:30 às 9:30, preciso compreender o assunto X e resolver 5 exercícios!”) e não se deixe dispersar antes de cumprir o que combinou consigo mesmo.

Fazendo isso, você terá sempre um sentimento de progresso e de que suas metas estão sendo cumpridas. Você terá um maior controle sobre seu rendimento, e perceberá com clareza o que deve revisar, para qual assunto dedicar mais atenção e tempo, e como maximizar seu aproveitamento em cada disciplina.

Um outro fator importante no estabelecimento de uma rotina são os momentos de descanso. Nosso cérebro rende mais quando intercalamos picos de atenção intensa a instantes de relaxamento. A técnica do Pomodoro, entre tantas outras similares, está aí para comprovar. 

Quando for elaborar seu cronograma, defina períodos de estudo de 45 ou 50 minutos, com intervalos de 15 ou 10. Nos intervalos, tente movimentar seu corpo, caminhe, alongue, faça lanches leves e se distraia com estímulos completamente diferentes do que teve até então.

Se você sai do computador e vai direto para a tela do celular, seu cérebro não está verdadeiramente descansando, pois as mesmas áreas continuam ativadas. É como numa viagem de longa de avião: seu corpo precisa se movimentar para gerar e liberar energia! 

4. Plano de estudos

Para que a execução de um trabalho seja satisfatória, é necessário haver um planejamento adequado, você não concorda? Pois é disso que estamos falando aqui! Um plano ou cronograma de estudos é, ao mesmo tempo, a ferramenta e o método que levarão você a ser bem-sucedido na execução de seu trabalho.

Saiba que um plano de estudos, em geral, tem duas fases distintas: antes e depois da publicação do edital. Essa diferença ocorre pela forma com que você abordará o conteúdo: mais prática ou mais teórica. 

“Mas como vou saber o conteúdo programático antes do edital sair?” Pelos editais anteriores para o cargo pretendido e pelos editais de outros concursos para o mesmo cargo, você pode mapear as áreas contempladas com uma margem alta de precisão.

4.1 A definição das variáveis

Duas variáveis precisam ser levadas em consideração para a elaboração de um plano efetivo: as matérias a serem estudadas e o tempo que você tem para estudar.

Vamos supor que você delimitou oito matérias para o concurso de Auditor-fiscal: Português, Inglês, Raciocínio lógico, Administração Geral, Direito Constitucional, Direito Tributário, Auditoria e Contabilidade. Depois de analisar seus compromissos diários, você contabiliza 20 horas semanais para reservar ao estudo.

O próximo passo é transformar esses dados em um cronograma que poderá ser atualizado semanalmente!

4.2 A montagem do cronograma

Primeiramente, você deve criar uma tabela ou planilha com os dias da semana e os horários reservados a cada disciplina. Depois, você vai definir quanto tempo dedicar a cada matéria, baseando-se no peso que a disciplina geralmente tem em relação à prova — para um Auditor-fiscal, Auditoria e Direito Tributário exigirão mais tempo do que Inglês, por exemplo.

Lembre-se de intercalar períodos de estudo com momentos de descanso para não se sobrecarregar. É recomendável também que você defina um dia da semana para revisar o conteúdo aprendido e listar possíveis dúvidas que ficaram em aberto.

Assim, o cronograma de uma semana sempre será elaborado a partir do rendimento do período anterior!

4.3 O ciclo de estudo

Após a publicação do edital, o ciclo de estudo passa a ser mais prático. Um sentimento de urgência e ansiedade são adicionados à equação. Procure manter-se seguro, calmo e continue a respeitar seu ritmo, sem virar madrugadas estudando, pular refeições ou se isolar do mundo.

Se você manteve seu compromisso até aqui, provavelmente já cobriu um número grande de assuntos e agora poderá focar mais na resolução de provas e exercícios do que necessariamente em novos conceitos. É hora de lapidar os instrumentos que você já construiu!

5. Como se manter motivado

Um grande desafio para um concurseiro é manter-se motivado. No começo, a rotina de estudos e a estipulação de metas diárias representam um território novo, um teste de compromisso. No entanto, após algumas tentativas sem sucesso, a pessoa se deixa levar pelo desânimo, e sua assiduidade começa a diminuir.

Cria-se um ciclo vicioso de descrença. O que fazer para evitar essa dinâmica e continuar motivado e perseverante? Bem, um indicativo é: sempre que sentir que o desânimo e a falta de motivação estão batendo à sua porta, tire um tempo para refletir sobre seus objetivos e reprogramar sua rotina.

Após terminar um ciclo de estudos que resultou em uma reprovação ou em uma classificação não satisfatória, dê-se um tempo, encontre uma forma de renovar as energias. Explore lugares novos, descubra um hobby, faça caminhadas, pratique uma atividade física e coloque sua existência em perspectiva.

Você é o protagonista de sua vida, então defina o que vai continuar fazendo parte de sua rotina e o que não convém manter! Não tenha medo dessa responsabilidade, valorize-a!

Quanto aos estudos, uma boa forma de revisar o conteúdo e sair do marasmo do cronograma é dar aulas a um aluno imaginário — afinal, é ensinando que se aprende! Formular em voz alta o que você já estudou é um ótimo método de verificar seu domínio sobre determinados assuntos.

6. Acompanhamento de estudos

Você sabe o que significa acompanhamento de estudos? Entende qual é a atuação de um coach ou mentor e como ele pode ajudá-lo a cumprir suas metas? Pois bem, saiba que um profissional bem capacitado pode potencializar seu rendimento e encurtar sua jornada até a aprovação.

Há uma variedade enorme de programas de acompanhamento e de metodologias, mas uma regra perpassa todos eles: o mentor não fará seu trabalho por você. Ele é, na verdade, um facilitador que garantirá seu progresso, evitando que você se perca em meio a tantas possibilidades de abordagens e assuntos.

Pense desta forma: seu mentor direcionará sua rotina, seu cronograma de estudos e o aconselhará sobre a melhor forma de se organizar. Digamos que ele fornece a estrutura, a orientação para que você saiba por onde seguir.

Tenha em mente que estudar em casa, com ou sem acompanhamento, exigirá muito comprometimento de sua parte. O mentor vai se responsabilizar pela logística do esforço, digamos assim, cuidando para que você foque no que realmente interessa: seus estudos.

Há opções de acompanhamento com acesso 24 horas ao mentor, ou com sessões de monitoramento agendadas. Há também modalidades em que não há assistência, apenas a elaboração de um planejamento exclusivo. Em outras palavras, você pode escolher o que melhor se encaixa em sua proposta e no tempo que você tem disponível.

No quesito motivação, o acompanhamento de um profissional também pode fazer muita diferença, pois trata-se de um incentivo a mais para que você continue firme em seu propósito. Além disso, se a ideia de estudar em casa sem um professor o deixa ansioso em relação ao aproveitamento, um mentor pode ajudá-lo a manter-se otimista e persistente.

Chegamos ao final desta exposição de ideias, que teve por objetivo esclarecer como estudar para concurso público em casa! Desde o início, buscamos explicar conceitos e práticas essenciais para quem dedica seu tempo aos estudos e está considerando as vantagens e desvantagens de seguir pelo caminho autodidata.

Estudar em casa é uma escolha válida e, para muitas pessoas, mais eficaz do que as aulas de cursinho preparatório. Mas lembre-se de que essa deve ser uma decisão consciente, pois exigirá de você muita dedicação, força de vontade e perseverança.

Em casa, a conquista de seu objetivo final dependerá de sua assiduidade para com os estudos, de seu comprometimento diário e, acima de tudo, de suas habilidades organizacionais. Nesse sentido, um dos pontos abordados foi como a atuação de um mentor, ou o investimento em um programa de acompanhamento, pode ajudá-lo com questões de ordem prática, como cronogramas e planos de estudo.

Gostou de nossas dicas? Ficou com alguma dúvida em relação à rotina de estudos de quem opta por se preparar em casa? Então deixe um comentário no post e compartilhe conosco suas considerações!