O mundo contemporâneo exige cada vez mais dedicação, tempo, capacidade de raciocínio rápido e tantas outras características de quem quer se destacar nos meios escolar e profissional. Por isso, cada vez mais pessoas buscam artifícios para melhorar a eficácia no trabalho e nos estudos, com o objetivo de reter mais informações, aumentar o rendimento e melhorar a concentração.

O uso da ritalina para estudar, com a promessa de ajudar no desempenho em vestibulares e concursos, é um dos exemplos que vem sendo bastante difundido atualmente. Algumas perguntas ficam para quem pensa em usá-la. Será que seu uso realmente melhora o funcionamento de uma mente saudável? Quais são seus efeitos colaterais? Vale a pena se arriscar pelos benefícios?

Para descobrir algumas respostas para essas perguntas, acompanhe o nosso post de hoje e informe-se sem se arriscar!

O que é ritalina?

A ritalina tem como princípio ativo o metilfenidato, um composto que intensifica a atividade dos neurotransmissores dopamina e noradrenalina. Com isso, aumenta a concentração, acalma e melhora o foco individual independentemente da atividade que esteja sendo realizada.

A droga já é conhecida há bastante tempo e ganhou apelidos populares, como “pílula da inteligência” e “droga da obediência”, mas se tornou mais popular nos últimos anos a partir do direcionamento para manter o foco durante longas horas de estudo. Por isso, a ritalina é de uso muito comum entre estudantes que estão se preparando para provas e concursos.

O medicamento, atualmente de uso controlado, foi criado na década de 50 para ser utilizado no tratamento de crianças com quadros de Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH). Distúrbio comum, o TDAH pode ser dividido em dois tipos:

  • TDAH combinado: a criança demonstra sinais de hiperatividade e impulsividade combinados com déficit de atenção;

  • TDAH desatento: engloba apenas para a falta de atenção, sem sinais de hiperatividade e, muitas vezes, com a criança mostrando até mesmo comportamento apático.

Essa variação é pouco conhecida, sendo normal os pais se preocuparem com o transtorno apenas quando a criança é muito agitada. Ele atinge entre 3 e 5% de toda a população e seu diagnóstico é realizado normalmente a partir dos seis anos de idade ou até mesmo antes, assim que a criança inicia sua vida escolar.

Diagnosticá-lo é uma tarefa difícil que deve considerar o comportamento da pessoa em ambientes diferentes. Portanto, é recomendável que o processo seja realizado por uma equipe multidisciplinar composta de psiquiatras e neurologistas. Além disso, é imprescindível que a família e os professores estejam sempre atentos para identificar as características do distúrbio.

A maioria dos especialistas acredita que a ritalina vem sendo utilizada em demasia sem diagnóstico compatível. Ou seja, tem havido uma banalização do uso do medicamento em pacientes que não precisam dele.

Além disso, mesmo que a compra seja permitida apenas sob prescrição médica, muitas pessoas que se veem tentadas pelos efeitos e pelas promessas da ritalina buscam comprá-la no mercado negro: alguns profissionais a comercializam sem permissão nos mais diferentes locais (inclusive em festas).

Quais condições demandam o uso da ritalina?

Como já dito anteriormente, a principal indicação para o uso da ritalina é a atenuação dos sintomas do TDAH, com grande melhora de prognóstico social, dentro da família e na escola. Ela diminui, ainda, os quadros de depressão, transtornos de ansiedade, baixa autoestima e dificuldades de ajustamento. Como a ritalina afeta os neurotransmissores, uma criança hiperativa torna-se menos dispersa e agitada. Assim, o indivíduo consegue:

A droga ainda está em estudo para ser utilizada no tratamento de outras condições, como distúrbios do sono (narcolepsia), mudanças do estado de consciência e depressão apática.

Quais seus riscos e efeitos colaterais?

O uso da ritalina, assim como de outras drogas produzidas pelas indústrias farmacêuticas, tem efeitos colaterais variados. Eles podem ser vistos principalmente em pessoas que fazem uso dela regularmente ou que estão tomando pela primeira vez, dependendo do usuário.

Mesmo que alguns pacientes relatem efeitos negativos leves ou acreditem que os efeitos positivos valem a pena por superarem os negativos, é preciso levar em consideração que o medicamento provoca, entre outros, a dependência química. Alguns efeitos colaterais, classificados como graves, devem ser notificados ao médico o quanto antes. Os de menor gravidade também devem ser comunicados, mas não há urgência.

A seguir, relacionamos alguns efeitos decorrentes do uso da ritalina para estudar, sem controle ou indicação médica. Confira!

Dependência

A ritalina, assim como a maioria dos medicamentos que atuam no sistema nervoso, pode causar dependência. Além disso, tamanha é a sensação benéfica, que a pessoa pode se sentir dependente da droga para sempre.

Efeito rebote

Quando o usuário para de utilizar o medicamento sem tomar as devidas precauções, pode sofrer de efeito rebote. Ele consiste em uma redução na habilidade de compreender as coisas, implicações negativas nos estudos e uma depressão difícil de ser revertida com medicamentos.

Efeitos comuns

Entre os efeitos colaterais comuns, é possível citar, entre outros, perda da libido, taquicardia e outros males do coração, dores no peito, distúrbios do sistema linfático, anemia, diminuição do apetite, náusea, insônia e depressão.

Todos esses efeitos variam de usuário para usuário, tempo de uso, tipo de medicamento ingerido e reações. Além disso, vale lembrar que, como a ritalina é muitas vezes adquirida ilegalmente, é possível que seja falsificada (e misturada com impurezas ou mesmo feita com outra fórmula de base). Por esses motivos, a pessoa pode estar comprando um remédio falsificado e ainda mais prejudicial.

É muito importante que a ritalina seja sempre utilizada sob prescrição médica e comprada em uma farmácia registrada e de confiança. Além disso, o acompanhamento é essencial para definir quando a dose deve ser aumentada, diminuída, por quanto tempo deve ser utilizada e qual a perspectiva de melhora.

Vale a pena utilizar a ritalina para estudar?

Além das consequências negativas citadas, médicos especialistas não aconselham o uso da ritalina sem avaliação prévia sobre a sua necessidade. Isso pode ser explicado pelo fato de ainda não existirem estudos suficientes que comprovem a eficácia da medicação para melhora da concentração e do foco em pessoas saudáveis — sem mencionar os efeitos colaterais decorrentes do uso em longo prazo.

Um estudo de pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) mostrou que a droga não melhora as funções cognitivas ou a memória de pessoas que não têm TDAH. Seu uso incorreto pode, inclusive, deixar o usuário desorientado no tempo e no espaço, além de levá-lo a desenvolver sonolência, vômitos, tonturas, náuseas e dores de cabeça.

É imprescindível considerar que a ritalina é uma droga de grande potência que atua no sistema nervoso e, por isso, tem chances elevadas de causar dependência. Ela nunca deve ser utilizada sem a prescrição e o auxilio de um médico competente da área. Além do mais, sem prescrição, sua venda é proibida por lei — portanto, é crime e pode levar a punições.

Como melhorar a concentração nos estudos sem ritalina?

Com os malefícios causados pelo uso da ritalina sem indicação médica, muitas pessoas se desesperam com a ideia de não conseguir otimizar seu tempo, sua concentração e sua rotina de estudos. Porém, para ir contra a ritalina e, ainda assim, melhorar o método de estudo, há alternativas que não prejudicam a saúde. Conheça algumas delas a seguir.

Plano individual de estudos

Um plano de estudos inclui organização semanal para não postergar o aprendizado e contemplar todas as disciplinas. Para isso, basta anotar os compromissos diários, identificar os horários livres e, a partir daí, dividir as atividades nesses períodos. Uma dica é alternar entre áreas (exatas, humanas, biológicas, específicas e assim por diante) para incentivar o cérebro a lembrar e, além disso, concluir todas as pendências.

Método Pomodoro

Consiste na divisão e otimização do tempo para evitar distrações. É definido da seguinte forma:

  • cronometrar 25 minutos para concentração total em uma tarefa, desligando eletrônicos e focando na conclusão até o final desse tempo (um pomodoro);

  • depois disso, cronometrar 5 minutos para descanso;

  • em seguida, dedicar mais 25 minutos a outra tarefa e outros 5 minutos para relaxar;

  • após quatro pomodoros, é hora de fazer uma pausa de 30-40 minutos;

  • ao final desse descanso, o método deve ser retomado.

Essas duas formas são apenas exemplos de como se preparar para avaliações, testes e provas para concurso. Com isso, é possível evitar o uso da ritalina ou outros medicamentos que podem trazer consequências graves para o organismo.

Vale ressaltar que opções de cursos on-line, videoaulas preparatórias e organização para manter uma boa rotina de estudos ajudam tanto no momento atual de foco quanto posteriormente. Essas alternativas preparam o candidato para uma vaga que exige profissionalismo, organização e uma série de características que também são desenvolvidas antes da aprovação em si.

Gostou de saber um pouco mais sobre o uso da ritalina para estudar? Se achar importante que outras pessoas entendam o funcionamento do medicamento e sua influência além dos estudos, compartilhe nas suas redes sociais e mantenha seus colegas, amigos e familiares atualizados!